Será que machucou ?

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Será que machucou ?

Só Antigas


\Bem Vindo ao Bicicletas Antigas / Clássicas / Peças / Nacionais e Importadas!


O charme das bicicletas antigas




Wanderer 1929
A primeira versão da bicicleta com pedais, muito parecida com as atuais, foi inventada na França em 1860 por Pierre Michaux, que, em 1865, montou a primeira fábrica de bicicletas do mundo, a Biciclos Michaux. A invenção impulsionou a indústria da bicicleta pela sua eficácia e versatilidade e encantou os ricos da época.
No Brasil, as primeiras bicicletas chegaram entre 1850 e 1870 na capital do Império, Rio de Janeiro. Imigrantes de origem alemã, italiana e suíça, que começaram a chegar no Sul do Brasil a partir de 1850, também podem ter trazido na bagagem algumas magrelas. Em 1896, São Paulo ganhou o primeiro velódromo da América do Sul.
Restaurar, colecionar ou apenas possuir uma bicicleta antiga para rolês de finais de semana é o passatempo e o ganha-pão de muita gente séria e comprometida em preservar a memória e os costumes de uma época.
ESTILO E HISTÓRIA

Gazelle 1953
No rastro dos programas de TV a cabo norte-americana como o Overhaulin’ do Discovery Channel, o programa Lata Velha, apresentado aos sábados na Rede Globo por Luciano Huck, é um reality show que acompanha a restauração completa do carro de algum telespectador.
Os programas do gênero ajudam a disseminar entre os mais jovens o amor pelas antigüidades, seja carro, moto ou bicicleta.
“Muita gente que gosta de carros antigos acaba migrando para as bicicletas, pois é mais fácil e não tem motor”, garante Marcelo Afornali, curitibano de 35 anos pós-graduado em História, apaixonado por tudo o que é antigo e com mais de 50 restaurações no currículo. “Sou um verdadeiro ímã de ferro-velho”, diverte-se.
O perfil dos aficionados por bicicletas antigas é bem diversificado. Até uns cinco anos atrás, pessoas da faixa dos 40 anos começaram a se interessar pelas marcas brasileiras – antes, o interesse era só pelas importadas e as nacionais chegaram a ser desprezadas por causa da baixa qualidade.
Muita gente que procura uma peça antiga busca uma bicicleta que marcou determinada época de sua vida. Outros procuram a antigüidade por influência de parentes próximos.

Schwinn Phanton
A moda das antigas já gerou o surgimento de grupos e eventos. Em Curitiba, o próprio Afornali organizou duas edições de um rali para bikes antigas, em 2004 e 2005, que reuniu cerca de 30 participantes.
Em São Paulo, todo primeiro domingo do mês proprietários de antigas se reúnem na Estação da Luz para conversar e pedalar. “A bike restaurada deve ser curtida, afinal deu tanto trabalho ao colecionador”, afirma.
ESPECIALISTAS NO PASSADO
O paulistano Marcos José Perassollo, de 52 anos e desde 1984 envolvido com restaurações de bikes antigas, é considerado o maior especialista do Brasil no assunto e já restaurou mais de 150 bicicletas. Perassollo é um artista que divide seu tempo entre “mock-up” (réplicas fiéis de objetos usadas em propagandas) e restaurações.

Bianchi Topázio
No seu galpão no bairro do Butantã tem mais de 300 bicicletas. Dessas, 80 estão perfeitas e 30 têm “nível internacional de qualidade”. A jóia de sua coleção é uma Bone Shaker, aquelas bikes com rodas dianteiras gigantes do final do século XIX.
Outro destaque de seu acervo é uma italiana Fratelli Vianzone, todinha de madeira.
Afornali também tem um acervo considerável com 25 bikes. A mais antiga é uma bike alemã Wanderer, de 1929, em perfeitíssimo estado. Mas o curitibano se recusa a ser chamado de restaurador. “Sou apenas um especialista em marcas de bicicletas antigas”.
Ambos põem a mão na massa e só mandam fazer fora a pintura, cromação e, eventualmente, algumas peças. Tanto Perassollo quanto Afornali têm oficinas próprias e com ferramentas de época, em polegadas.
Eles recebem a bicicleta, a desmontam e avaliam as necessidades. A partir daí, correm atrás do necessário.

Vianzoni
Ambos são unânimes ao afirmar que a restauração, mais que um ofício, é uma paixão. “O dinheiro que ganho é para sustentar esse vício. Não é pela grana”, garante Perassollo.
Além das bicicletas, colecionadores têm também roupas, acessórios, componentes (muitas vezes na caixa), ferramentas, cartões postais, revistas, catálogos, capacetes e sapatilhas.
O sonho de ambos é o mesmo: abrir um museu. “Precisamos principalmente de apoio financeiro. Precisamos também de um prédio seguro”, diz Afornali.
Um colecionador de verdade gosta de pedalar sua antiga. “É um pecado deixar uma jóia dessa na garagem”, concordam.
O prazo para a restauração varia de modelo para modelo e de bike para bike. Perassollo restaura uma Phillips em 45 dias, já uma Bianchi demora mais – no mínimo uns 60 dias.
PEÇAS NOVAS E RARAS
Não existem escolas para se aprender a restaurar. Amantes das antigas aprendem com muita pesquisa e com outros colecionadores-restauradores.
Muitos donos de antigas põem a mão na massa e aprendem com os próprios erros e, na maioria das vezes, recuperam a bicicleta.
“Eu aprendi estragando bicicletas. Depois que abri o site, aprendi muito”, confessa Afornali, criador do www.bicicletasantigas.com.br em 2002 e hoje uma referência no mercado de antigas. Atualmente Afornali vive do site.
Conseguir peças é apenas um dos desafios de se restaurar uma relíquia. No Brasil, quase não se encontram peças e os colecionadores costumam criar uma rede de amigos aficionados que trocam informações entre si.
“Isso não envolve dinheiro e sim amizade”, conta Afornali, que rotineiramente usa os amigos colecionadores – espalhados pelo mundo todo – para conseguir o que precisa. Alguns sites estrangeiros, e também o site do próprio Afornali, têm seções de classificados de componentes antigos.

Hermes Sport
Alguns componentes ainda são fabricados. É o caso dos pneus aro 28”, que entram na de produção da Pirelli brasileira uma vez por ano. Os clássicos selins ingleses da marca Brooks ainda são feitos normalmente, agora pela italiana Selle Royal. Os câmbios embutidos no cubo traseiro da marca inglesa Sturmey Archer foram produzidos até meados da década de 90 e são encontrados com certa facilidade.
Às vezes a sorte bate na porta. Em 2005, um amigo procurou Afornali com uma Hermes 1951 0 KM. A bike estava esquecida em uma antiga bicicletaria de Santa Catarina. “Ela estava na caixa e embalada no papel original de fábrica”, lembra, orgulhoso. Hoje, a Hermes vale em torno dos US$ 4,5 mil.
Na busca por bikes e peças antigas, sempre vale uma garimpada nas pequenas bicicletarias de bairros e das pequenas cidades do interior. Muitas vezes, um componente ou uma bike inteira ficaram esquecidos num estoque à procura de um dono.

Dawes 1938
Na cidade de Bauru (SP), por exemplo, havia uma loja que tinha muito estoque antigo. No ano 2000 o proprietário faleceu e Afornali arrematou mais de 50 faróis, todos na caixa. Mas a ignorância falou mais alto: comenta-se que seis toneladas de bicicletas antigas, algumas novas e sem uso, foram vendidas para serem derretidas. Um crime.
Algumas marcas ainda mantêm em produção modelos clássicos, como a Schwinn Black Phantom, lançada em 1955 e ainda no catálogo, e a Schwinn Stingray, em produção desde 1973.
VALOR HISTÓRICO

Monark BMX Tanquinho
Bicicletas antigas não seguem regras de preços como outras antigüidades, que se norteiam pelos catálogos internacionais. O valor de uma restauração segue o seguinte princípio: quanto mais inteira e bem conservada uma bike, menos se gasta. E quanto mais antiga e rara uma bicicleta – ou uma peça -, mais cara ela será.
Perassollo cobra pelo menos R$ 3 mil por uma restauração. Tudo depende da marca, modelo e principalmente do estado de conservação.
Afornali restaurou uma inglesa Rudge Whitworth 1949 verde que saiu por R$ 3.300 e levou um ano para ficar como nova. “Tem cara que manda importar um farol de R$ 1 mil. Mas há pessoas com limitação de verba que pedem para eu recuperar tudo. Depende de cada um”.