O charme das bicicletas antigasWanderer 1929 No Brasil, as primeiras bicicletas chegaram entre 1850 e 1870 na capital do Império, Rio de Janeiro. Imigrantes de origem alemã, italiana e suíça, que começaram a chegar no Sul do Brasil a partir de 1850, também podem ter trazido na bagagem algumas magrelas. Em 1896, São Paulo ganhou o primeiro velódromo da América do Sul. Restaurar, colecionar ou apenas possuir uma bicicleta antiga para rolês de finais de semana é o passatempo e o ganha-pão de muita gente séria e comprometida em preservar a memória e os costumes de uma época. ESTILO E HISTÓRIA Gazelle 1953 Os programas do gênero ajudam a disseminar entre os mais jovens o amor pelas antigüidades, seja carro, moto ou bicicleta. “Muita gente que gosta de carros antigos acaba migrando para as bicicletas, pois é mais fácil e não tem motor”, garante Marcelo Afornali, curitibano de 35 anos pós-graduado em História, apaixonado por tudo o que é antigo e com mais de 50 restaurações no currículo. “Sou um verdadeiro ímã de ferro-velho”, diverte-se. O perfil dos aficionados por bicicletas antigas é bem diversificado. Até uns cinco anos atrás, pessoas da faixa dos 40 anos começaram a se interessar pelas marcas brasileiras – antes, o interesse era só pelas importadas e as nacionais chegaram a ser desprezadas por causa da baixa qualidade. Muita gente que procura uma peça antiga busca uma bicicleta que marcou determinada época de sua vida. Outros procuram a antigüidade por influência de parentes próximos. Schwinn Phanton Em São Paulo, todo primeiro domingo do mês proprietários de antigas se reúnem na Estação da Luz para conversar e pedalar. “A bike restaurada deve ser curtida, afinal deu tanto trabalho ao colecionador”, afirma. ESPECIALISTAS NO PASSADO O paulistano Marcos José Perassollo, de 52 anos e desde 1984 envolvido com restaurações de bikes antigas, é considerado o maior especialista do Brasil no assunto e já restaurou mais de 150 bicicletas. Perassollo é um artista que divide seu tempo entre “mock-up” (réplicas fiéis de objetos usadas em propagandas) e restaurações. Bianchi Topázio Outro destaque de seu acervo é uma italiana Fratelli Vianzone, todinha de madeira. Afornali também tem um acervo considerável com 25 bikes. A mais antiga é uma bike alemã Wanderer, de 1929, em perfeitíssimo estado. Mas o curitibano se recusa a ser chamado de restaurador. “Sou apenas um especialista em marcas de bicicletas antigas”. Ambos põem a mão na massa e só mandam fazer fora a pintura, cromação e, eventualmente, algumas peças. Tanto Perassollo quanto Afornali têm oficinas próprias e com ferramentas de época, em polegadas. Eles recebem a bicicleta, a desmontam e avaliam as necessidades. A partir daí, correm atrás do necessário. Vianzoni Além das bicicletas, colecionadores têm também roupas, acessórios, componentes (muitas vezes na caixa), ferramentas, cartões postais, revistas, catálogos, capacetes e sapatilhas. O sonho de ambos é o mesmo: abrir um museu. “Precisamos principalmente de apoio financeiro. Precisamos também de um prédio seguro”, diz Afornali. Um colecionador de verdade gosta de pedalar sua antiga. “É um pecado deixar uma jóia dessa na garagem”, concordam. O prazo para a restauração varia de modelo para modelo e de bike para bike. Perassollo restaura uma Phillips em 45 dias, já uma Bianchi demora mais – no mínimo uns 60 dias. Muitos donos de antigas põem a mão na massa e aprendem com os próprios erros e, na maioria das vezes, recuperam a bicicleta. “Eu aprendi estragando bicicletas. Depois que abri o site, aprendi muito”, confessa Afornali, criador do www.bicicletasantigas.com.br em 2002 e hoje uma referência no mercado de antigas. Atualmente Afornali vive do site. Conseguir peças é apenas um dos desafios de se restaurar uma relíquia. No Brasil, quase não se encontram peças e os colecionadores costumam criar uma rede de amigos aficionados que trocam informações entre si. “Isso não envolve dinheiro e sim amizade”, conta Afornali, que rotineiramente usa os amigos colecionadores – espalhados pelo mundo todo – para conseguir o que precisa. Alguns sites estrangeiros, e também o site do próprio Afornali, têm seções de classificados de componentes antigos. Hermes Sport Às vezes a sorte bate na porta. Em 2005, um amigo procurou Afornali com uma Hermes 1951 0 KM. A bike estava esquecida em uma antiga bicicletaria de Santa Catarina. “Ela estava na caixa e embalada no papel original de fábrica”, lembra, orgulhoso. Hoje, a Hermes vale em torno dos US$ 4,5 mil. Na busca por bikes e peças antigas, sempre vale uma garimpada nas pequenas bicicletarias de bairros e das pequenas cidades do interior. Muitas vezes, um componente ou uma bike inteira ficaram esquecidos num estoque à procura de um dono. Dawes 1938 Algumas marcas ainda mantêm em produção modelos clássicos, como a Schwinn Black Phantom, lançada em 1955 e ainda no catálogo, e a Schwinn Stingray, em produção desde 1973. VALOR HISTÓRICO Monark BMX Tanquinho Perassollo cobra pelo menos R$ 3 mil por uma restauração. Tudo depende da marca, modelo e principalmente do estado de conservação. Afornali restaurou uma inglesa Rudge Whitworth 1949 verde que saiu por R$ 3.300 e levou um ano para ficar como nova. “Tem cara que manda importar um farol de R$ 1 mil. Mas há pessoas com limitação de verba que pedem para eu recuperar tudo. Depende de cada um”. |
Olá meu nome é Geviton e no meu blog vou falar um pouco sobre Bikes, todo munda já teve uma bike rs e tipo será que alguém nunca caiu de uma rs. espero que gostem.
Só Antigas
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